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por mais q se purifique o ouro, nunca o fogo deixa de consumir as minimas partes.

Se me estranharem o descobrimt.° de tantas faltas em hum homem tido e havido em tão boa reputação? Susegem, que sem defeytos não ha homem, quanto mais, que todos do interior do Passo, o sabem e m.° mais.

a

Eu não rompera neste excesso a elle, me não protestar em dia de N. Sr. da Cm., que se havia de queyxar amargamente de mim a S. A. R. sem embargo do que pesso a V. Mcê, que por sua bondade, não me premita disgostar ao d. Sr. se o homem não tiver feyto algum requerimt.o, que em tal cazo presiza saber os motivos que tem.

Antonio Caetano, não ignora estas, he prudente e com elle espero milhorar estas couzas no modo pocivel. Comcluhindo com esta cestilha:

Gran paciencia ha menester,
quen reziste a hum grave mal :
pero en esto (alparezer)
Socrates no tuvo igual;

pues la prova principal

es una mala muguer.

Qualquer dia vou aos pez de V. Mcê com algumas

contas.

D. lhe dê m. saude, e o Guarde de todo o mal.
Junqueyra em 16 de Dez.o de 1767.

Sr. Ant. Feliciano de Ande.

Com V. Mcê tem falado.

(a.) Agostinho Jozé Gomes.

CAPÍTULO XII

DESCRIÇÃO E ARMAÇÃO DO PALÁCIO DE QUELUZ

Tapeçarias

PANOS DE ARRÁS

Entre as muitas riquezas colecionadas no famoso Palá cio de Queluz, figuravam os preciosos Panos de Arrás entre os quais havia muitos de grande valor.

Com bastante custo, conseguimos organizar uma relação de todos os que existiram em Queluz, e, dalguns, determinar a sua procedência.

No ano de 1762 existiam os seguintes Panos de Arrás: (Segundo o Inventário feito em 1761):

1 Jogo de 3 Panos da Historia de Moyses.

I Dito de 7 Panos de

Triumpho de Jozeph.

I Dito de 6 Panos do Triumpho de Judith (1).

2 Ditos de 7 Panos da Historia de Alexandre (1). 1 Dito de 8 Panos de Diana na caça (1).

1 Maço 587. Arquivo Nacional da Tôrre do Tombo: Conta de quatro Armassoens q eu tenho Entregado ao Sr. Luiz Antonio De Arraujo q se achão postas na Real quinta de Queluz, a saber:

Huma Armassão de pannos de Raz de 6
pannos historia de Judit q tem de Roda
29 1/16 Covados

160 000

1 Dito de 6 Panos de Diana nos bosques.

1 Dito de 4 Panos de Brincadeira de rapazes.

1 Pano de Historia chinêsa e outros numa totalidade

de 62 panos.

A maioria destes panos foram comprados a Paul Boffinet, mandados vir de França para o Palácio de Queluz, como se vê na nota infra.

Um jôgo de 7 panos da Historia de Godefroye, não aparece no Inventário de 1761, e como se vê na nota n.o 1, foi comprado por Paul Boffinet em França, que, por sua vez, o vendeu para Queluz, onde existia em 1757.

Um outro jôgo, que na conta diz «Armassão muita rica. e fina», de 8 panos da Historia de Méléagre, vendido pelo mesmo Boffinet por 999#000 reis, colocado e entregue em Queluz, a 6 de Agosto de 1759, também não figura no Inventario.

É muito provável que tivessem ido para o Palácio da

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Recebi do Sr. José Elias de Campos a importancia asima q são Seis Centos e Sessenta mil reis. Lisboa 17 de Abril 1757.

Em Outubro de 1758 vende:
24 Capas de cadeyras da Raz e 4 Cana-

pés, por.

(a.) Paul Boffinet.

555500
(a.) Paul Boffinet.

Ajuda, residência oficial da Família Real, mas tendo percorrido um Inventário existente em Santa Luzia, não encontramos a descrição dos panos aí existentes a qual, talvez tivesse desaparecido no incêndio de 1794.

Diz Sousa Viterbo, no seu livro Artes e Artistas, 2.a edição, pág. 75, que existiam em Queluz, dois soberbos panos do século xvi, mas que podem ser fabricados posteriormente, quem sabe se no reinado de D. João V. Eram encimados pelas Armas Reais a tinham na orla inferior disticos em português, julgando ser obra nacional (1). Nos Inventários, não vêm mencionados, nem nenhum outro encimado pelas Armas Reais.

Além dos Panos de Arrás já indicados, Agostinho José Gomes, recebeu do Tesouro da Bemposta, em 9 de Novembro de 1787, os seguintes, que ficaram pertencendo a D. Pedro por morte de D. João da Bemposta (2) e foram para Queluz:

I jogo de 6 panos entre finos e novos que representão As guerras de Alexandre, e 6 sôbre-portas da mesma armação.

1 Dito de 7 panos A história campestre.

1 Dito de 6 panos de Figuras de países.

1 Dito de 7 panos de Figuras de países.
I Dito de 4 panos da Fábula.

(1) Os discos rezam desta maneira :

PORVS / ABANDONADO DOS SEUS, FERIDO E DESSENDO SEV /
ELEFANTE O REY / PORVS PERDIDO / E FEITO PRISIONEIRO /
PRESENTADO A ALEXANDRE.

(2) Arquivo de Santa Luzia, Inventário de 1761.- Arqnivo Nacional da Tôrre do Tombo. Inventário dos dos Bens de D. João (da Bemposta), nos documentos da Casa do Infantado.

Dito de 4 panos da Fábula de Hercules com a hidra

de Lerna.

1 Dito de 3 panos de História chinêsa.

2 panos ordinários de Países.

2 ditos da mesma qualidade e de Países

2 ditos da História Sagrada.

3 ditos da História Sagrada mas com muito uso.

Outros panos foram comprados mais tarde. No ano de 1799, o Conde de Val de Reis, vendeu 1 armação de 7 panos de Figuras da Fábula, com 5 côvados e 1/3 de alto e 44 1/2 de roda, por 130 000. Um pano da mesma altura e roda 5 côvados e 1/4 que representa Aquiles morto por Páris, por 20000 reis. Uma armação de 6 panos de Jardins com colunas e vasos de flores com a mesma altura dos já citados, e com 136 côvados de roda, por 120 000.

Todos êstes panos foram avaliados pelos tapeceiros da Casa Bragança, José Joaquim Duarte e Teotónio Pedro Heitor (1).

Entre outros panos de valor que existiam no Palácio de Queluz, citamos os seguintes:

PANOS DE DAMASCO E OURO

No ano de 1761, existiam dois panos de Damasco de ouro cor de rosa, forrados de nobresa da mesma côr, com duas ordens de galões de ouro à roda. Dois de Veludo carmezim, forrados de nobresa da mesma côr, cercadura larga, bordada à broca em ouro, com uma tarja no

(1) Arquivo de Santa Luzia. Ano de 1779. Caixa n.o 64. 1.o Semestre. Mês de Maio. Documento n. I.

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