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Da grandiosidade do antigo tempo passou ao completo desleixo actual...

¡Tudo foi arrancado, sêdas, espelhos, alcatifas, tôda a vida, todo o esplendor que envolvido em crepes nos passa como uma visão de sonhador, como que implorando à consciência humana a conservação duma tradição, dum passado que jamais voltará! ..

Sala do Lanternim

Conhecida antigamente por «Sala Escura» ou «de Espera», por não ter janelas.

Era forrada de damasco carmesim e as suas nove portas com cortinados do mesmo tecido, guarnecidos a retrós e laços de nobreza, sanefas de veludo, tudo da mesma côr o chão de tijolo coberto com uma grande alcatifa de França, aos ramos, com fundo encarnado.

Como se vê no inventário já descrito, tinha esta sala

tando a classe dos entalhadores de Lisboa com uma grande crise de falta de trabalho, foi pedido pela respectiva Associação de classe, trabalho ao Governo, e sendo então Ministro do Fomento o Ex.me Sr. Estevam de Vasconcelos, foi por êste dito ministro deferido o pedido da Associação e mandada restaurar esta sala, o qual trabalho foi aberto a 11 de Janeiro de 1912 e concluído em Agôsto do mesmo ano assignando abaixo os operários que ncla estiveram trabalhando e eu como presidente da assembleia geral da Associação dos Entalhadores de Lisboa, e operário da dita sala, redegi esta acta e a assigno juntamente com os meus collegas.

«António Henrique dos Santos

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António Casqueiro da Silva João dos Santos - José Cândido do Vale Coutinho - Artur Antunes Brás. Carpinteiro: Manuel Rodrigues Castelo. - Pintores: Eugenio Correia da Silva.

Servente: Manuel Pedro da Silva. «Observação: Desde de Junho que não trabalha nesta sala o colega Hilário Francisco do Nascimento, onde era encarregado, assumindo êsse cargo o colega, António Casqueiro da Silva».

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pinturas no tecto, em tela, que em 1808 o General Junot, projectando várias obras no Palácio, principiou por deitar abaixo, para abrir no tecto a clarabóia, que hoje existe.

Foi encarregado dêstes trabalhos o arquitecto José Costa, que abandonou o trabalho com os seus operários, devido à falta de pagamento da parte do encarregado, o célebre Mr. Geouffre.

Depois da retirada dos franceses, por decreto da Sereníssima Casa e Estado do Infantado, de 28 de Setembro de 1808, foi corrido o telhado e concluída a clarabóia, e só em 1818 o arquitecto do Real Paço da Ajuda, António Francisco Rosa, indo a Queluz examinar o estado de ruína em que se encontrava o Palácio, deu conhecimento da sua visita para o Rio de Janeiro, mandando El-Rei D. João VI proceder à execução das obras precisas, sendo então esta sala tôda estucada e dourada, obras estas que se concluíram em Junho de 1820, o que foi participado para o Rio de Janeiro, a 15 de Setembro do mesmo ano, pelo correio marítimo S. Sebastião. Segundo um oficio do Visconde de Vila Nova da Rainha, datado do Rio, 8 de Julho, diz ter ficado S. Magestade muito satisfeita com saber que estavam concluídas as obras no seu Palácio de Queluz, esperando as contas de tôda a despesa, logo que estivessem concluídas as pinturas da nova sala e dos tectos e ornatos da Sala das Talhas, sob a direcção artística do pintor André Monteiro da Cruz.

No tempo em que a Infanta D. Isabel Maria, sendo Regente do Reino, esperava o Infante D. Miguel, seu irmão, mandou fazer obras no quarto que lhe destinava, e vinha a ser esta sala, comprando móveis e mandando vir da Bemposta outros para sua ornamentação: Foi então toda ornada com reposteiros de sêda verde claro e bambinelas de talha dourada.

Com D. Miguel, veio a grande tela, pintada em 1827 por Giovani Ender, em Viena de Áustria: a esbelta figura que hoje ornamenta e dá vida a esta sala. É lamentável não ter já sido restaurada. A pintura está tôda estalada e principia a cair; se assim continuar, em breve desapa

recerá.

Foi nesta sala que se refugiaram as Princesas Marroquinas em 1792 (antes de serem recebidas pela então Princesa D. Carlota), as quais, obedecendo às prescrições da sua nação, não podiam ser vistas por homem algum. Como já se disse, foram recebidas na Sala da Música e jantavam na do Trono, em mesas rasas e sentadas sôbre almofadas, conforme o uso do seu país (1).

Esta sala tem ligação para a Capela e, por uma porta que existia, comunicava com a tribuna de S. Magestades, que ficava ao lado da Capela-Mór.

Hoje, é uma das salas mais bem conservadas do Palácio.

Sala dos Embaixadores

Primitivamente conhecida pela «Barraca Rica, Casa Grande ou da Galeria», e hoje por «Sala das Talhas, das Serenatas ou dos Espelhos», é a mais rica do Palácio.

Esta sala foi traçada pelo arquitecto Robillion em 1757. Tôda a obra de carpintaria foi feita sob a direcção do carpinteiro francês, Jean François Gragnier. O telhado, que cobria a sala, era do telhador, também francês, Pierre Larrie. O entalhador francês, Jacque Antoine Collin, fez a obra de talha para servir de molde à obra de pasta, tra

(1) Palácio de Queluz. 2.° volume. As princesas marroquinas em Queluz.

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