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pela divisão que se fez em 1799, com a abertura de um corredor que vai à Casa do Toucador da então Princesa D. Carlota Joaquina. O rasgamento dêste corredor fez com que se inutilizassem duas telas, que foram reproduzidas, existindo ainda as primitivas, completamente arruïnadas, nos vãos das janelas.

No tempo de El-Rei D. Miguel, vedou-se a comunicação que ligava com os aposentos da Rainha, os quais tinham sido transferidos para os que foram do Rei D. Pedro III. Nesse cubiculo foi armado um pequeno oratório, que já não existe, e a que foi Sala do Conselho adaptou-se para quarto de dormir de D. Miguel em 1830, e de El-Rei D. Luís em 1875.

Esta sala serviu de espera aos camaritas e nas festas de S. João e S. Pedro era armada para os grandes banquetes e ceias. Serviu também para as reuniões de ministros e para as audiências particulares, no tempo do Príncipe D. João, sendo para êsse fim armado um dossel.

Em 1807 estava guarnecida com reposteiros e sanefas de damasco carmesim e bambinelas estreitas em talha dourada. O chão é todo coberto com lindo parquet e foi revestido de tapetes de França.

Em 1823 foi guarnecido com reposteiros de veludo verde, e em 1832 com outros de damasco de ouro carmesim, e por fim, em 1875, com panos verdes que vieram do Palácio da Ajuda. Hoje, inútil será dizer, nada existe.

No ano de 1820, devido ao estado de podridão do vigamento, o tecto foi restaurado, mas as obras foram feitas com tão pouco cuidado, que ficou, como hoje se conserva, todo inclinado para o lado direito. Estes trabalhos foram dirigidos pelos mestres Manuel Antunes e Joaquim Inácio Gaspar.

Por esta sala se entra na que foi ante-câmara da Rainha

Senhora D. Carlota Joaquina, e por uma outra porta no quarto do toucador.

Quarto do Toucador

Pequeno, mas artisticamente delineado, é guarnecido com lindo trabalho em pasta de papelão dourada, sôbre grandes espelhos, tendo ao centro dêstes e sôbre as portas, telas pintadas com figuras de meninos fazendo toilette. O tecto forma uma linda corbeille donde pendem flores, tudo a dourado e iluminado a várias côres.

No ano de 1799, a Princesa Senhora D. Carlota Joaquina mandou proceder a obras neste quarto e no de dormir, que principiaram em Novembro e terminaram em Fevereiro de 1800, sob a direcção do mestre José Gaspar.

Concertaram o telhado, e o parquet foi renovado. João Valentim, sob a direcção de José Conrado Rosa (1), pintou nos espelhos e telas as figuras que hoje existem. Tôda a obra de pasta foi dourada e as portas e janelas pintadas a côr de pérola, e estas guarnecidas com reposteiros e sanefas de damasco amarelo.

Êste quarto também pertenceu ao Infante D. Pedro, ao Príncipe D. João, e, por último, à desditosa Rainha Senhora D. Maria Pia.

(1) Criado particular e mestre de desenho e pintura do Paço. Este foi incumbido de tratar do envio de vários móveis e quadros de Queluz para o Brasil e, tendo em seu poder as chaves dos quartos onde se depositaram vários móveis, os franceses, quando invadiram o Palácio, arrombaram as portas roubando e partindo vários objectos que nunca chegaram a ser encontrados. (Maço 269- Ministério do Reino).

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Quarto de Dormir

A seguir ao de toilette, pequena sala e única do Palá cio que é prateada; os seus ornatos são como os anteriores, em pasta; forrado de espelhos com pinturas de anjos e meninos dormindo, espreguiçando se e brincando, obras da mesma autoria do quarto anterior.

As janellas são duplas, havendo um espaçoso intervalo entre uma e outra. O chão é em parquet, coberto, em 1799, com uma alcatifa amarela, assim como a armação de todo o quarto, com reposteiros sanefas de damasco da mesma côr.

A seguir a êste quarto existia um pequeno oratório, que hoje está completamente abandonado (1).

Foi também quarto de dormir de El-Rei D. Pedro III, do Príncipe D. João e da Princesa Senhora D. Carlota Joaquina, mesmo depois de ser Rainha.

No tempo de D. Miguel serviu de Sala de Despacho.

Sala D. Quixote

Entra-se nesta sala pelo Quarto de Dormir. Não é de grandes dimensões, mas além de rica envolve muita história.

Conhecida por Sala D. Quixote, pelos dezoito painéis pintados no tecto e sôbre as portas, atribuídos ao pintor Manuel da Costa, e o do centro, que representa a música, a José António Narciso.

O tecto, formando pequena cúpula, é suportado por

(1) Foi neste oratório, que a Rainha Senhora D. Carlota Joaquina colocou a grande tela de Giovani Ender, representando a esbelta figura de D. Miguel.

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