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PAIVA (João José de)-Compositor portuguez. Escreveu a musica para um Baile, que se representou no theatro de S. João, no principio d'este seculo intitulado: D. João de Castro em Dabul. O assumpto é tirado do livro de Jacintho Freire de Andrade (a) com algumas alterações, que o compositor do Bailado, Pietro Maria Petrelli, julgou conveniente introduzir. Esta Dança foi executada a 4 de Fevereiro de 1810.

Os artistas que n'ella figuraram eram quasi todos portuguezes, excepto Petrelli, primeiro bailarino absoluto e Carlota Lisini.

Os Personagens eram desempenhados pelos seguintes artistas:

D. João de Castro-Francisco Antonio Ferreira.

D. Diogo de Almeida-P. Maria Petrelli.

D. Leonor-Maria Rita de Mesquita.

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Talvez que este compositor seja o mesmo que o violinista Paiva, visto a coincidencia do nome e da data. Esta supposição, não é mais que uma hypothese, visto não termos dados positivos a este respeito.

A acção, tal, qual ella apparece desenvolvida no libretto que examinamos, concedia a composição de uma musica energica e dramatica, no estylo descriptivo.

Não sabemos até que ponto o compositor se utilisou d'estes recursos, porque nada conhecemos da musica do Bailado.

As disposições scenicas do 1.o Acto, indicam uma tempestade que surprehende o navio de D. Diogo de Almeida. Devia ser um trecho de musica descriptiva.

No 2.o Acto, ha uma Marcha guerreira indiana, que precede o casamento de Cála e de Zelinda. (b)

Os noivos assistem em seguida a um bailado. As outras situações do Acto, prestam-se a uma musica toda dramatica e vehe

mente.

O 3.o Acto, offerece uma invocação religiosa cantada pela tripulação dos navios de guerra que D. João de Castro conduz á India. (c)

A Scena do carcere (4.° Acto), não cede em vigor dramatico a palma á situação do final do 2.o Acto, talvez pelo contrario lhe seja superior. Entretanto a acção n'elle, não é muita; no ultimo (5.) nota-se o mesmo defeito; termina com um côro geral e uma dança no fim.

(a) Vida de D. João de Castro.

(b) Coincidencia notavel com o 4. Acto da Africana, de Meyerbeer. (c) Outra coincidencia, Acto 3.o, Choeur, des Matelots: O grand Saint Dominique.

PAIVA (D. Heliodoro de)-Homem de talento, dotado de uma aptidão extraordinaria para as Sciencias e para as Artes. Além de Musico, foi um dos nossos bons pintores (a) e desenhava excellentemente. (b) Pertenceu à ordem dos Conegos regrantes de Santa-Cruz onde tinha estudado, e viveu no XVI seculo, parte em Coimbra (1500), parte em Lisboa, que o Bispo-Conde (c) diz ser a sua patria. Machado (d) é da mesma opinião.

Foi filho de Bartholomeu de Paiva, guarda-roupa de El-Rei D. João III e vedor das obras do reino, e de Felippa de Abreu. Fallava o Grego, Latim, Hebraico, e tocava Orgão, Rabeca e Harpa, cantando egualmente bem, a ponto de ser classificado pelos mais celebres professores de musica: o ORFEO d'aquelle seculo! Os seus conhecimentos na sciencia musical, eram solidos e foi principalmente habil no contraponto.

Esta apreciação que transcrevemos de Machado, é confirmada por D. Nicol. de Santa Maria. (e) «Era cantor e musico mui destro e contrapontista; tangia orgão e craviorgão com notavel arte e graça; tangia tambem viola d'arco e tocava harpa.»

Póde ser que haja exagero n'estas apreciações; em todo o caso, é inegavel, que Paiva foi um artista de muitissimo merito e que excedia em amptidões artisticas a maior parte dos seus collegas contemporaneos, em cujo numero se contavam (limitando-nos a Portugal) muitos compositores e artistas de merito distincto.

Egualmente apreciavel como artista e como homem, Paiva unia aos seus vastos conhecimentos litterarios e artisticos, uma modestia pouco vulgar em homens d'esta qualidade.

Regeitou por differentes vezes os offerecimentos generosos de D. João III, seu colaço, (f) e que outros com mais ambição, teriam de certo aceitado com jubilo; um bispado, não era cousa que se desprezasse, sobretudo n'aquella epoca tenebrosa, em que um prelado era um pequeno despota na sua diocese; em logar de cordeiro um lobo.

Morreu em Coimbra, a 20 de Dezembro de 1552. Resta-nos rectificar um erro commettido por Manoel do Cenaculo (g); o verdadeiro nome de Paiva, é Heliodoro e não Hilario, como o Arcebispo de Evora indica em uma das suas obras.

As suas numerosas composições existiam em Ms. no mosteiro da sua ordem, em Coimbra e eram:

1.) Varias Missas.

2.) Collecção de Motetes a varias vozes, para varias festividades; eram: mui suaves. (h)

3.) Varias Magnificats a canto de Orgão.

(a) Comte de Raczynski: Dictionnaire historico-artistique du Portugal, pag. 217.

(b) Taborda, Regras da Arte da Pintura, pag. 155. B. de Castro, Mappa de Portugal, pag. 362.

(e) Lista, pag. 37.

(d) Bibl. Lusit. Vol. 1, pag. 432, 433.

(e) Chronica dos Conegos regrantes, Vol, n, pag. 329.

(f) A mae de Paiva, tinha sido ama d'este personagem.

(g) Memorias historicas do ministerio do pulpito. Lisboa, 1776, § quarto, pag. 134 e 135.

(h) Chronica dos Coneg. regr: Vol. 1, pag. 329.

PAIXÃO (José Joaquim de Oliveira) — Primeira violetta no theatro do Funchal, onde residia no principio d'este seculo; as suas composições sacras: Missas, Matinas e um Requiem, carecem de inspiração (P. de Vaxel); parece que escreveu tambem alguns trechos para o seu instrumento. Deve já ter fallecido ha

bastantes annos.

PALMA (Fr. Affonso de)-Nasceu em Portugal, onde estudou a musica; residiu durante a maior parte da sua vida em Cordova, onde morreu em 1450; as suas composições sacras eram numerosas e bastante distinctas pela elegancia do seu estylo.

PALOMINO (José)-Musico que viveu em Portugal no fim do seculo passado. Instrumentista da Camara de S. M. F. a Rainha D. Maria I.

Descobrimos este musico em uma Dissertação de Solano, (a) já por vezes mencionada. N'ella encontramos dois Sonetos d'este artista; um dedicado á Musica, na occasião em que Solano recitava o discurso mencionado, outro feito para o mesmo dia, em honra da Purissima Conceição de Nossa Senhora.

Julgamos satisfazer a curiosidade do leitor, transcrevendo-os do impresso do theorico portuguez.

I

Á MUSICA

Tu bella irmã da dôce Poezia,

Que as duras magoas em prazer trocando,

Os tristes corações arrebatando,

Suffocas n'alma a muda hypicondria:

Tu, que a sonora magica harmonia

Nas sombrias cavernas espalhando
Plutão, e as negras Furias abrandando
Euridice trouxeste á luz do dia:

Tu, que a bravos Leões domaste a sanha,
Ouve os louvores de que és so dina,

Jámais te seja a minha Musa estranha:

Raive-se embora a inveja viperina,

Em quanto os corações de gosto banha
O alegre som da Musica Divina.

II

Á PURISSIMA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA

Tu, que por lei dos immortaes destinos

Geraste o grande Deus, que a egreja adora
Tu, que és das virgens Virginal senhora,
Ouve no Céo cantar teus gratos Hymnos.

Se das altas virtudes pouco dinos

São os louvores, que eu decanto agora
Ao som da branda Musica sonora,
Suba teu Nome aos Astros Crystallinos.

Respeita o Mundo os teus merecimentos;
Solano, anime o teu louvor, em quanto
A Musica suave enfrea os ventos:

Proteje, quem proteje esta Arte tanto;

E as doces Vozes, doces Instrumentos
Sirvão só de louvar teu Nome Santo.

(a) Dissertação sobre o Caracter, Qualidades e Antiguidades da Musica, pag. 25 e 26.

PAREDES (Pedro Sanches de)-Beneficiado e Organista da egreja de Obidos. Viveu na primeira metade do seculo XVII e morreu na capital, em 1635. Foi egualmente instruido nas Letras e nas Artes; deixou-nos:

1.) Lamentações para a Semana Santa, a differentes vozes. 2.) Villancicos para a Festa do Natal; estas obras existiam em manuscripto na egreja d'Obidos, quando Machado escrevia a Bibliotheca Lusitana.

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