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que des ramifications sont partout dans l'Amérique, à Londres, ou les séances se tiennent chez l'agent de la Colombie, et derniérement aussi á Paris. Nul doute encore que les affidés de Carvalho attendent que Bolivar, ne sachaut que faire de son armée, et pour distraire les esprits, se porte à Buenos-Ayres et attaque le Brésil. Des émissaires de ces messieurs ont été envoyés á Colombie, et vous en aurez la preuve dans la cópie de la lettre originale que je vous ai montrée et que je vous envoie d'aprés votre demande. Le gouvernement brésilien agira trés mal s'il ne fait pas de suite partir un agent homme adroit pour Colombie, dans le but d'examiner et faire manquer la démarche de ses ennemis, et s'il ne fait en outre bien examiner tout étranger n'importe de quelle nation arrivant au Brésil". (16 de Junho de 1825) (*)

Pois o enviado dos bolivaristas brasileiros (assim poderemos chamal-os), era exactamente o visionario Saldanha, que da Inglaterra partiu rumo á Colombia, em Maio de 1825, segundo se verifica da seguinte carta:

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"Liverpool, 4 de Junho de 1825 Illmo. Sr. Em resposta á sua estimada carta de 11 do passado a Saldanha, digo: que nesta occasião Martins (Manoel José Ribeiro Martins Junior), mandou ordem para o mesmo sujeito entregar a V. S. mais cincoenta mil réis para as encommendas, etc. Saldanha já daqui partiu para a Colombia, porém não sem difficuldade. Elle foi em um navio e a sua roupa noutro. O diabo ainda não sahiu do caminho;

diabo está em liga com os imperadores e reis contra os patriotas. Emquanto não houver pelo menos meia duzia de regicidas, não quebra o encanto, mas... Recommende-me aos irmãos e acceite os sinceros votos d'amizade d'este que é de v. s. muito venerador e ami

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Saldanha, que era meigo poeta e intelligencia de escol, veiu, assim, á Colombia com propositos definidos. O seu biographo A. . de Mello não ignorou esse destino. determinado, embora desconhecesse o alcance e gravidade dos projectos dos conjurados bolivaristas de Pariz. E' tempo de indagar quaes poderiam ser esses conjura dos. Pesquiza relativamente facil. O mesmo Mello menciona varies dos revolucionarios de 1824. homisiados na

(*) Op. cit., vol, III.

Cité Lumiére. Eram os majores de 1.' linha Arruda e San nago. Francisco Xavier Pereira d'Oliveira, Basilio Quaresma Torreão e José Telles de Menezes. Fóra de Pariz os adherentes ao atrevido plano eram: O tenente-coronel José Antonio Ferreira, o commandante José Francisco. Vaz de Pinho Carapeba; Felix Antonio Ferreira d'Albuquerque, presidente da Parahyba; Francisco Leite da Silra, commandante das forças do centro, na provincia de Alagoas, o tenente-coronel Antonio d'Albuquerque Mello Montenegro, o commandante Manuel Ignacio Bezerra de Mello, José Gomes do Rego, Francisco d'Arruda Camara, Antonio Gabriel Pires da França Mendanha, o jornalista padre João Baptista da Fonseca, e o commandante Emiliano Felippe Benicio Mundrucu'. (*)

Além d'esses nomes é mister juntar, na Europa, outros indiciados pela policia de Villéle: assim o irlandez naturalizado O'hili que da Colombia veiu á França como emissario, e regressou ao mesmo paiz americano; o duque de Sussex, que excitava os conjurados. Tiveram estes a audacia de solicitar o apoio do proprio José Bonifacio, que terminantemente recusou o seu assentimento à idéa. Entre ɔs Pernambucanos que receberam Saldanha em Pariz não fora affeito suppor que algum tenha sympathizado com o projecto bolivariano: assim Bôa-Vista, Itamaracá, Olinda, Siqueira Lima, que. n'aquelles tempos, eram simples estuiantes de humanidades.

Saldanha veiu, pois, primeiro a Caracas e depois a Bogotá. Alguns d'aquelles outros exilados o acompanharam. Um delles foi Mundrucu', que na capital da Venezuela, em 1826, publicou interessante folheto, digno de illustrar este escripto. E' um manifesto dirigido á nação colombiana, narrando as desgraças dos republicanos de Pernambuco, de tal sorte que não se póde duvidar tivesse sido lançado de accordo com Saldanha e outros brasileiros, para preparar a missão secreta do primeiro junto a Bolivar. (*) a Colombia já se encontravam, além do general Abreu e Lima, outros pernambucanos, evadidos de 1817, como Luiz de Lima e Francisco Antonio de Lima Barretto. Mundrucu' revela esperanças e affirma ter ouvido do insigne Paez lisongeiras promessas.

(*) Caracas, Imprensa de Thomaz-Anthero, 1826. A copla authentica d'esse manifesto, foi-nos obsequiosamente offerecida pela Academia de Historia de Caracas.

Em Caracas, para viver, exercia Saldanha a advocacia, e era grato á protecção que lhe dispensava o procere venezuelano generai Escalona, a quem se refere carinhosamente em cartas datadas do exilio. Não se demorou em Caracas, partiu logo para Bogotá. Procurou immediatamente entender-se com aquelle que era acclamado libertador de povos, cujo apoio queriam conquistar os republicanos brasileiros. Do exito dos seus pour parler encontramos apenas esta incompleta referencia de Antonio Joaquim de Mello, bastante, porém, para orientar a pesquiza: "O nosso humilde, mas doce poeta, apresentou-se ao immortal Simão Bolivar, que tambem não era um obscuro armeiro, mas o armado e invencivel conquistador da independencia e liberdade da sua patria. O successo, porém, foi igual: Saldanha foi acolhido mui benigna e favoravelmente..."

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Argeu Guimarães

Do Diario Official, de 1 de outubro de 1924.

NOTA IX

SENADO FEDERAL

Sessão de 26 de maio de 1896

O Snr. João Barbalho Aproveitando a opportunidade de achar-se na tribuna, o orador offerece, o seguinte projecto, ao qual dará a meza o destino conveniente (lê):

Entre os meios de repressão empregados contra os revolucionarios de 1817 e de 1824, o governo de então houve de recorrer ao desmembramento de uma parte do territorio pernambucano.

Era preciso, por todas as maneiras, enfraquecer povo altivo e brioso que tão cêdo começara a dar explendidos exemplos de patriotico ardor e heroismo. Não se julgaram bastantes as medidas postas em pratica contra os patriotas; a tyrannia entendeu punir o proprio chão que elles pizavam e cortou uma larga porção do patrimonio territorial da heroica provincia.

Em 1817, o territorio da antiga comarca do rio S. Francisco fôra mandado annexar á provincia de Minas. Geraes, ficando, porém, sem vigor essa determinação por haver terminado a revolução.

Isto se vê do decreto de 22 de julho de 1817 e é mencionado no "Atlas do Imperio do Brazil" por Candido Mendes, pag. 14.

Em 7 de julho de 1824, foi expedido o seguinte de

creto:

"Tendo chegado ao meu imperial conhecimento que o intruzo presidente de Pernambuco, Manoel de Carvalho Paes de Andrade, que não tem podido seduzir até hoje mais que um punhado de militares e de gente miseravel, sem luzes, sem costumes e sem fortuna, da cidade do Recife, e de tres ou quatro villas circumvisinhas,

ས༔

procura levar agora a todos os pontos da provincia os mesmos embustes e imposturas que, temerariamente, tem assoalhado, mandando emissarios para arrastarem го inesmo abysmo, que o espera, os povos innocentes do interior a quem tão difficilmente chegam noticias do verdadeiro estado das cousas publicas, que elle cautelosate occulta ou desfigura: E devendo, como Imperador e Perpetuo Defensor de Imperio, empregar todos os meios possiveis para manter a integridade delle e salvar meus subditos do contagio da seducção e impostura, com que

partido demagogo pretende illaqueal-os: E considerando quão importante é a bella comarca denominada do rio S. Francisco, que faz parte da provincia de Pernambuco e a põe em contacto com a de Minas Geraes, e o grande cuidado que devem merecer-me seus habitantes pela constante fidelidade e firme adhesão que tem mostrado a sagrada causa da independencia e do Imperio e até pelos sacrificios que já teem feito a favor della:

"Hei por bein, com o parecer do meu conselho de estado, ordenar, como por este ordeno, que a dita comarca do rio S. Francisco seja desligada da provincia de Pernambuco e fique, desde a publicação deste decreto em deante, pertencendo á provincia de Minas Geraes, de cujo presidente receberão as autoridades respectivas ordens necessarias para seu governo e administração, provisoriamente, e emquanto a assembléa, proxima a installar-se, não organizar um plano geral de divisão conveniente.

"Ficará a dita comarca, como até aqui, sujeita em seus recursos judiciaes á relação da Bahia".

E a assembléa geral legislativa do imperio, á qual foi presente esse acto dictatorial, adoptou a resolução que foi sanccionada nos seguintes termos (em 15 de outubro de 1827):

a

"Tendo resolvido a assembléa geral legislativa que comarca do rio de S. Francisco, que se acha provisoriamente incorporada á provincia de Minas Geraes, em virtude do decreto de 7 de julho de 1824, fique provisoriamente incorporada á provincia da Bahia, até que se faça a organização das provincias do imperio:

"Hei por bem, sanccionando a referida resolução, que elle se observe e tenha o devido cumprimento".

Mas se em 1817, tendo cessado a revolução, não che

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