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leiro, natural de Minas Gerais, constitui uma página honrosa do reinado americano de D. João VI. Os seus conhecimentos jurídicos e outros, a sua sciência da língua francesa, a sua lhaneza, espírito de justiça e actividade burocrática fizeram dêle nos sete anos e meio da sua residência oficial em Cayenna - Março de 1810 a Novembro de 1817 — um governante geralmente tido por modêlo, que deixou muito agradáveis recordações quando a possessão foi restituída à França e os antigos senhores a reocuparam-.

Ora neste pequeno trecho, há o suficiente para, não transcrevendo mais se ficar conhecendo das aptidões do Marquês de Queluz.

No 4.o volume do Dicionário Bibliográfico Brasileiro pelo doutor Augusto Vitorino Alves Sacramento Blake, Rio de Janeiro, 1898, a páginas 47, vem a lista dos trabalhos que o Marquês de Queluz escreveu e são:

Reflexões sobre a união das três Guyanas francesa, portuguesa e holandesa para formarem um reino anexo ao governo do príncipe D. João. Foram enviadas ao Conde do Funchal com ofício datado de 30 de Outubro de 1812 e com um exemplar do manifesto justificativo da côrte de Portugal a respeito da França, por êle reimpresso em Cayena onde se achava. Existe na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

- Memória sôbre a necessidade de abolir a introdução dos escravos africanos no Brasil, sôbre o modo e condições com que esta abolição se deve fazer, e os meios de remediar a falta de braços que ela pode trazer; oferecida aos brasileiros, seus compatriotas. Coimbra, 1821, 90 págs. in 4.o

– Apologia que dirige à nação portuguesa para se justificar de imputações que lhe fazem homens obscuros, os quais deram causa ao decreto de 3 de Junho e a providência comunicada no aviso de 11 de Julho do corrente ano de 1821. Coimbra, 1821, 32 págs. in-4.o, segunda edição, Rio de Janeiro, 1822, 27 págs. in-4.o· Deu motivo a êste escrito o facto de ser vedada ao autor, e aos que acompanharam D. João VI a Portugal, a permanência em Lisboa, em distância menor

de dez léguas, proibição contra a qual reclama, expondo o seu proce dimento. No Conimbricense n.o 2874, de 10 de Setembro de 1825, o seu redactor, J. Martins de Carvalho, reproduz alguns trechos da Apologia, em que o autor declara que não é de sua pena um opúsculo publicado em 1821 no Rio de Janeiro àcêrca da independência do Brazil, como lhe foi atribuído.

Análise e refutação do libelo acusatório que publicou o Almirante Barão do Rio da Prata, contra alguns Ministros de Estado em particular, e em geral contra os Ministros de 1826, 1827 e 1829, disfarçada com o título de Defeza perante o Conselho de Guerra. Rio de Janeiro, 1829, 88 págs. in-8.o. Em resposta a êste folheto publicou o Barão do Rio da Prata, Rodrigo Pinto Guedes, um folheto em 1830, no Rio de Janeiro intitulado « Echec et mat á impostura do ill.mo Sr. João Severiano Maciel da Costa, Marquez de Queluz, gran-cruz da imperial Ordem do Cruzeiro etc. ». (Dicionário referido, 7.o volume, pág. 148).

- O Barão do Rio da Prata nu e cru, tal qual é e sempre foi, ou nova análise do último discurso, com que pretendeu justificar-se dos crimes de que está convencido, pelo mesmo autor da Analyse e refutação, etc. Rio de Janeiro 1830, 72 págs. in-4.o A êste opúsculo respondeu ainda o Barão do Rio da Prata, no mesmo ano, em 73 págs. in-4.o, impressas no Rio de Janeiro, com o título « Resposta ao ultimo opusculo do Ex.mo Sr. João Severiano Maciel da Costa, Marquez de Queluz, pelo seu admirador, o Almirante Pinto Guedes, Barão do Rio da Prata (Dicionário referido, 7.o volume, pág. 148).

Ode à morte do ilustríssimo e excelentíssimo senhor D. Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho, Bispo de Coimbra, Conde de Arganil, reformador e reitor da Universidade, à qual e a todo o bispado dedica um brasileiro saudoso e agradecido. Coimbra, 1828, 8 págs. in-4.

E aqui está o que me foi possível apurar sôbre o Marquês de Queluz e a sua vida.

Aqui ficam pois alguns elementos biográficos do Marquês de Queluz que foi um português ilustrado até 7 de Setembro de 1822 e depois um brasileiro de valor até que

morreu.

Vejamos as rápidas referências que encontrei sôbre o seu filho.

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PAGINA ILUMINADA DA CARTA DE 2 DE DEZEMBRO DE 1828

PAGIJA

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— João Tavares Maciel da Costa, filho do antecedente, Barão de Queluz por decreto imperial do Brasil de 18 de Outubro de 1829, elevado a Visconde de Queluz com grandeza, por decreto de 30 de Junho de 1847.

Faleceu em 9 de Dezembro de 1870 na cidade de Vassouras, província do Rio de Janeiro, tendo sido casado com D. Cândida Augusta de S. José Werneck que nasceu em 3 de Janeiro de 1826 e faleceu em 30 de Março de 1853. Não obtive qualquer outra referência.

Joaquim Lourenço Baeta Neves, Barão de Queluz por decreto imperial brasileiro de 24 de Maio de 1873. Foi Tenente Coronel da Guarda Nacional conforme a páginas 377 diz o sr. Barão de Vasconcelos no seu Arquivo Nobiliárquico Brasileiro, Lausanne (Suíssa), 1918.

Não obtive qualquer outro esclarecimento sôbre êste titular.

Vou tratar agora do titular português que tão importante papel desempenhou junto de El-rei o Senhor D. Miguel em várias das fases da sua vida.

Por ser uma época muito conhecida e descrita da nossa história, abstenho-me de me referir a ela e limito-me apenas às notas biográficas que colhi sôbre êste titular e alguns elementos sobre a sua família e sôbre a sua suposta representação actual.

-António Bartolomeu Pires, nasceu em Lisboa, no Campo de Sant'Ana, no dia 3 de Fevereiro de 1795 e foi baptisado em 11 seguinte na Igreja de Nossa Senhora da Pena pelo Reverendo Padre Feliciano António da Costa conforme consta de folhas 251 do livro n.o 21 do registo dos nascimentos da mesma freguesia.

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