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da Tôrre Espada sem qualquer motivo, que ao de leve se pudesse justificar, é escandaloso.

Vê se por algumas das cartas das mercês, que El-Rei o Senhor D. Miguel, tinha uma grande relutância em lhas conferir, tanto, que é completamente manifesta a sua contrariedade em lhas conceder. Veja-se a carta do Moço Fidalgo e Fidalgo Escudeiro da Casa Real em que se diz por especial graça que jamais servirá de exemplo -. Seria talvez uma cláusula para que qualquer pessoa que não fosse do feitio do Visconde de Queluz, as não aceiMas êste titular, parece, que não queria saber dos meios, só queria os fins.

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Para a Comenda de Avis, como não tinha servido em África, mas visto seu requerimento e o Breve do Núncio Apostólico - foi-lhe passada a respectiva carta sem outra justificação.

Vejamos a composição das armas:

Tem uma espada, não havendo porém na vida do Visconde de Queluz qualquer motivo para que ali exista. Tem uma corôa de louros, não havendo também qualquer motivo para que ali figure. Nem praticou qualquer acto guerreiro, nem que conste, era poeta, herói ou sábio.

O resto, no primeiro quartel, figura num campo de prata o escudo nacional com o banco de pinchar. É mal ordenado êste quartel, pois que todo o campo devia ser preenchido pelas armas que usava El-Rei o Senhor D. Miguel antes de ser Rei, e não sôbre campo de prata.

O terceiro quartel tem um cão para representar a fidelidade.

Vê-se por êste brazão que o Visconde de Queluz apreciava imenso a Tôrre e Espada e a sua divisa, pois que as fitas que seguram o Manto à Corôa têm escrito «<Valôr -Lealdade..

As insígnias da Tôrre e Espada têm uma corôa de louros e uma espada pois são para distinguir feitos em campanha. Estas duas insígnias estão representadas no segundo e quarto quartéis. Portanto a decifração do brazão é 2.° Quartel «Valor», 3.° Quartel «Lealdade» e 4.° Quartel «Mérito».

É a divisa da Tôrre e Espada.

O Timbre tem um braço armado e a legenda: «Pro defensione regis».

Terminada esta já longa referência às cartas de brazão de armas, vamos a outra carta que também é curiosa.

- Comendador Honorário da Ordem da Torre e Espada, por carta de 20 de Outubro de 1831, registada a folhas 113 do Livro 3.° das Mercês de D. Pedro IV, na qual El-Rei D. Miguel, como Grão Mestre da Ordem da Tôrre e Espada, diz:

...

Faço saber que attendendo a continuar a merecer a Minha Real Contemplação o Barão de Queluz do Meu Conselho, e em nova demonstração do apreço em que tenho os seus honrados e leaes serviços: Hey por bem fazer-lhe Mercê de huma Commenda honoraria da dita Ordem para a ter effectivamente quando a houver vaga. Pelo que Mando ao Deputado da Meza da Consciencia e Ordens Luiz José de Morais Carvalho, do Meu Conselho e Cavalleiro da referida Ordem, que apresentando-se-lhe o mencionado Barão de Queluz com esta Carta, lhe defira o Juramento de valor e lialdade na forma determinada no § 16 da lei de 29 de Novembro de 1808, lançando-lhe a insignia da sobredita Ordem, com assistencia de mais dois Comendadores ou Cavalleiros della, de que se lavrará termo assignado por todos no respectivo Livro, cujo acto será celebrado em huma das cazas do mesmo Tribunal, pondo-se de tudo a competente verba, no verso desta Carta, que se cumprirá e guardará cono nella se contem, etc.

E se mais Mercês houvesse, mais seriam concedidas ao Visconde de Queluz. As que aqui deixo registadas foram as que ràpidamente procurei, sendo portanto natu

PAGINA ILUMINADA DA CARTA DE 20 DE NOVEMBRO DE 1829

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ral, que haja outras, mas emfim, para amplamente se compreender o aprêço em que El-Rei o Senhor D. Miguel o tinha, já basta o que fica exposto.

Estes Livros de Mercês do Rei Senhor D. Pedro IV, n.o 1, 2 e 3 que tanta vez acima cito, são os que de facto pertenceram ao Rei Senhor D. Miguel com os números 23, 24 e 25, mas que tomada possé do Reino pelo Senhor D. Pedro IV, foram considerados como sendo dêste Rei.

António Bartolomeu Pires além do que acima fica indicado, foi Ajudante de Cirurgia da Guarda Real de Polícia, por nomeação de 4 de Janeiro de 1817, de que depois foi nomeado Cirurgião-Mór até 15 de Julho de 1823 em que passou a servir no Quartel General do Infante Senhor D. Miguel.

Além das condecorações portuguesas indicadas, foi mais Comendador do Leão de Zaringe, Cavaleiro da Legião de Honra e Cavaleiro da Corôa de Ferro da Áustria.

Casou o Visconde de Queluz em 24 de Julho de 1854 com a Princesa Malvina de Loewenstein Werlhein Frendenberg, divorciada em 1850 de Frederico, Conde de Isembourg.

A Princesa Malvina nasceu em 27 de Janeiro de 1818, e morreu a 18 de Fevereiro de 1879, sendo segunda filha de Jorge Guilherme Luís, Príncipe de Loewenstein Werlhein Frendenberg e de sua mulher a Princesa D. Carlota Sofia Henriqueta Luíza.

Diz-se, que na ocasião dêste casamento, foi elevado a Conde de Queluz por El-Rei o Senhor D. Miguel.

Morreu António Bartolomeu Pires em Brombach em 1860 para onde foi, acompanhando sempre El-Rei o Senhor D. Miguel.

Não consta que o Conde de Queluz tivesse deixado descendência, como também a não deixaram suas irmãs D. Luiza Isabel e D. Maria Isabel, que morreram solteiras.

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