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AMBORILIAD

balho êste de João Crisóstomo da Silva, sendo o papelão fornecido por Jean Lefranc; e depois de concluído todo êste trabalho, tôda a sala foi dourada por João Caetano. O chão, primeiramente foi ladrilhado por Joaquim Gomes e mais tarde forrado com mármores, tal como se conserva.

O pintor Francisco de Melo, que, segundo uma conta, diz ser Pintor de Figuras, pintou nove painéis. João Berardi pintou um painel de grandes dimensões e dois de dezasseis palmos. Em 1762, estes artistas entregaram quarenta e oito painéis para a Casa Grande. É muito provável que fôssem distribuídos por outras salas, e muitos dêles hoje não existem, devido às contínuas transformações que a maioria das salas sofreram.

São em número de quarenta e três os painéis pintados nesta sala.

No tecto, ao centro, um grande painel representa um serenim, vendo-se El-Rei D. José e a Rainha Senhora D. Mariana Vitória; - o célebre mestre de música napolitano David Perez, tocando cravo; a então Princesa e depois Raínha, Senhora D. Maria I; — as Infantas, Senhoras D. Maria Francisca Benedita, depois Princesa do Brasil; D. Mariana Josefa e D. Maria Doroteia, filhas de El-Rei D. José, com papéis de solfa nas mãos, em acção de cantarem; - o Infante D. Pedro, depois Rei, terceiro no nome, coroado de louros, regendo o concêrto; — D. Lucas Jovini, mestre de música da Rainha D. Mariana Vitória, encostado a um pedestal e, finalmente, vários músicos, cantores da câmara e gentis-homens da côrte. Nos cantos, sôbre pedestais, quatro figuras de mulher. Tôda a tela é circundada por uma balaustrada.

Nas extremidades, há outros dois painéis, que tomam, como o já descrito, tôda a largura do tecto, e representam a Música com várias figuras de mulher tocando vários

instrumentos, e o outro, um Concílio dos Deuses onde figuram Marte, Saturno, Júpiter, Minerva, Vulcano, Baco, Neptuno, Plutão, etc.

Nas partes laterais do tecto há dezoito painéis figurando païsagens chinesas, e outros de figuras de mulheres e homens em variadas posições e costumes, emmoldurados em pasta de ornato..

Nos vãos das janelas e sôbre as portas dos fundos, vêem-se dezasseis painéis de variados estilos.

Nos espelhos também foram pintadas figuras chinesas, que hoje mal se percebem, sendo tambem ali colocadas serpentinas de cristal para três velas.

Do tecto pendiam cinco lustres cristalinos, sendo o do centro maior que os outros quatro, colocados nas extremidades.

Em 1767 foi a sala tôda decorada com reposteiros de damasco azul e bambinelas de talha dourada, trabalhadas por Silvestre de Faria Lobo, e no chão colocada uma alcatifa a todo o tamanho da sala, que veio do tesouro em Agôsto do mesmo ano, sendo todos estes trabalhos executados pelo mestre armador, João Pedro Alexandrino Nunes.

Esta sala ficou conhecida por Sala das Talhas, devido ao grande número de talhas de porcelana da Índia, China e Japão, que a decorava.

Eram quási tôdas azuis e brancas, e estavam dispostas sobre colunas e pedestais de talha (na sua maior parte trabalhados por António Angelo), peanhas de madeira com ornatos e, sôbre as portas e janelas, metidas em nichos nas paredes. Muitas destas foram para o Rio de Janeiro, e outras para os Palácios de Belém e Bemposta, e, em 1834, as que ainda existiam, por ordem do Duque de Bragança foram para o Palácio da Ajuda. As que lá estão hoje,

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