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Emfim obras desmentem sinaes, Remeto as duas garrafas com a d. agoa, a de n.o 1 he de huma minazinha que abryo o marido da contrahente, que produz huma pena de agoa, por ser pouca para o seu mantimento. Esta he a da garrafa n.o 2.

E não se me ofrese mais.

Em Passo de Queluz em 9 de Junho de 1781.

Sou indigno criado
Agostinho Joseph Gomes.

Concluído êste capítulo, completamos vários estudos que se tem feito com referência à hidrologia de Queluz, seus aquedutos, fontes, chafarizes, depósitos, o abastecimento da povoação, palácio, jardins e quinta, e ainda o início e conclusão de tôdas as obras a ela referentes (1).

É curioso notar, que foi preciso deixar passar quási uma centena de anos, para se completar, um pouco mais, o estudo referente às águas que abasteciam o almoxarifado de Queluz.

José Maria dos Anjos, num ofício dirigido à Comissão

(1) Sobre os aquedutos em Queluz, deve consultar-se a obra de Carlos Ribeiro, intitulada Reconhecimento geológico e hidrológico dos terrenos das vizinhanças de Lisboa, com relação ao abastecimento das águas desta cidade, nos seguintes capítulos: Bacia hidrográfica da Ribeira de Vale de Lobos e de Queluz, vol. 1.o, pág. 55. — Aqueduto de Agualva. Tabela das nascentes de água potável na Bacia hidrográfica das Ribeiras de Queluz e de Vale de Lobos, ao norte do paralelo da Agualva e quási tôdas permanentes na estiagem do ano de 1856. Vol. 1.o, pág. 133.

- Memórias sôbre Chafarizes, Bicas, Fontes e Poços Publicos de Lisboa, Belem e muitos outros logares do Termo, por José Veloso de Andrade, pág. 98 e segs.

-

- Noticia acerca das Agoas que abastecem os Almoxarifados das Reaes Propriedades, quer Proprias quer Nacionaes no usufructo da Corôa, pág. 111 e segs.

do Tombo dos Bens da Corôa em 28 de Fevereiro de 1846, ignorava a existência de documentos. Em 10 de Abril de 1878, dizia o solicitador da Casa Real, que não era possível encontrar documentos que se refiram ao Aqueduto do Pendão, a-pesar-das deligências que para esse fim foram empregadas em várias épocas, ignorando-se a data da sua construção. José Zacarias dos Anjos, diz no seu relatório sôbre águas, feito em 1883, que no arquivo da junta da extinta Casa do Infantado devem exístir documentos. José Veloso de Andrade, também se queixa do mesmo mal, nas suas Memórias sôbre Chafarizes, Bicas, etc.; na Notícia Sobre o Abastecimento de Águas dos Almoxarifa dos e Propriedades Reais, já o estudo vem mais completo, mas fazendo documentação moderna. Finalmente, chegando-nos a vez e na esperança de encontrarmos documentação, procurámos, encontrámos, e de facto, cremos, alguma coisa mais apresentarmos.

CAPÍTULO XVIII

A ILUMINAÇÃO DO PALÁCIO

Na sua primitiva o Palácio de Queluz era iluminado a azeite, cêra, cebo e óleos.

Possuía ricos lustres de cristal, serpentinas de prata, bronze, cristal e louça; castiçais de vidro, prata e principalmente de bronze; lampeões de metal e bronze, lâmpa das, na sua maioria de latão e folha de Flandres; mangas de vidro e louça; vários candieiros para azeite e óleos, de latão, e muitos outros e variados meios para iluminação.

As peças mais importantes, como os lustres, serpentinas e diversos lampeões, vieram de Inglaterra, França e Itália (1) fornecidas por José Jerdiner & Comp.o, Paul Boffinet, Nicolau Possolo, R. de Lessert e outros.

(1) Conta de Joze Jerdiner & Cop.

Sñor Luiz Antonio de Araujo — Guardaroupa de Sua Alteza o Sereniss. Snor. Infante Don Pedro para Quelūz.

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Cêra e velas, primeiramente vinham de Itália, mandadas por Pedro Francisco Soureli, depois eram fornecidas pelo cerieiro José Inocêncio e outros.

O Palácio principiava a ser iluminado logo ao pôr de sol, dando-se comêço pelos corredores mais escuros, ilu

S. A. ordename V. M.cê pague a R. De Lessert duzentos noventa e seis mil, e quatro centos reis, de duas duzias de Lanternas dobradas, e duas de Lanternas Cingellas, pellas ter rematido p.a Quelus importancia por ellas pede em sua conta, sem embargo do excessivo preço e otellas mandado vir, hencomendandos-se-lhe só duas, p. se escolherem eaveriguar primr.o opreço dellas, eassim mais selhe pague comad. importancia quatorze mil reis, a declara na sua conta pagar defrete q faz tudo aquantia, de trezentos e dezmil, e quatrocentos reis, daq. cobrará V. M.cê recibo, nas costas deste avizo, değ fica pago esatisf. das referidas Lanternas, e Frete, q o d.o Sr. manda pagar por similh. preço atendendo otellas entregues. D. G.o a VM.cê m.* a.' Lx. 2 de Março de 1755.

São 310 $400.

Snr. Joze Elias de Campos.

No verso o seguinte recibo:

(a.) Luiz Antonio de Araujo.

Receby do Sr. Joze Elias de Campos a coantia de trezentos e dez mil coatro centos Reis p. a importancia do avizo da outra parte. Lx. em 25 de Marso de 1755.

(a.) R. de Lessert.

No ano de 1759, foi para Queluz o seguinte:

2 Caixoins comseus Repartimentos com
dois candiheyros de criztal Jaspiado
hum de dezasseis lumes outro de
doze q costarão..

2 Caixoins comdoze pares de derandel-
las de Bronze doirado. . . . .
Huma Cayxa comouto serpentinas de
trez Lumes e outo Castisaes de Prata
Lavrada feito em França. . . .

11 Caixoins com 66 pares de serpenti-
nas de Bronze doiradas de sinco Lu-

738#680

312 068

1:122#680

minação que era a azeite, cebo, velas, tochas de cera e nas grandes salas, preparavam-se os lustres, serpentinas e as mangas.

Nos jardins quando o tempo permitia colocavam-se nos seus extremos, archotes, dispunham-se lampeões de azeite e quando a família real ali passeava, iam à frente homens com fosforões de Itália (1) que produziam uma luz forte e amarelada durante dez a quinze minutos.

Nas grandes funções e principalmente pelo S. João e S. Pedro, eram iluminadas as salas com grande esplendor, utilizando-se 1500 a 1700 velas de cera. Nos jardins a iluminação era feita com tigelinhas de vidro com azeite e óleos, empregando-se perto de 25:000. Para as acender aproveitava-se a guarda do Palácio e todo o pessoal disponível. Iluminavam-se as fachadas do Paço, tanto para o lado dos jardins e quinta, como a que deitava para o terreiro.

mes coatro trez e dois q cumprey
em Londres...

5 Caixoins comtrez candiheyros de criz-
tal de Genova decoures variadas de
dezasseis coatorze e dez Lumes q
costarão.

1:304 000

2:334767

Nesta conta vêm outras despesas de pratas, brins, fretes, e operários. Por ela se vê a procedência de vários candieiros e o seu custo, sendo tudo entregue em Queluz, por Bento Dias Pereira Chaves, em 28 de Março de 1759.

(1) Arquivo Nacional da Tôrre do Tombo. - Casa do Infantado, Conta de Azeite e Cera para a iluminação do Paço de Queluz. Estes fosforões vinham de Veneza, importando cada caixa com cinco duzias em 76 000. Não se transcreve esta conta por ser extensa e tratar da despesa particular do Infante D. Pedro e outras sem importância para êste assunto.

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