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PREFÁCIO

TÍTULOS DE QUELUZ

António Caldeira Pires, um estudioso profundo do Palácio Real de Queluz e de tôdas as outras residências reais, há anos, em Agôsto de 1920, residindo temporariamente em Queluz, como geralmente sucede às pessoas que ali vão passar a estação calmosa, passava horas nas salas e jardins do Palácio.

Em igual época estava eu temporàriamente em Sintra, encontrando-nos por vezes nos comboios.

Nos momentos disponíveis estudava eu o Palácio da Vila, de forma que as nossas conversas recaíam sempre ora sôbre o Palácio de Queluz, ora sôbre o Palácio de Sintra.

Caldeira Pires, completamente novo em investigações, queria uma orientação para estudar o referido Palácio. Desanimou por vezes, mas, cabe-me essa satisfação, tanto insisti e por tal forma o animei que, devagar a principio e com uma rapidez vertiginosa depois, António Caldeira Pires por tal forma colheu elementos, que produziu a obra, a importantíssima obra História do Palácio Nacional de Queluz, que agora aparece preenchendo uma extraordinária falta. A soma de materiais que consultou, e os elementos que obteve, constituem um belo repositório, que com certeza servirá de base a inúmeros estudos, romances, novelas, etc.

António Caldeira Pires, tenciona felizmente estudar as outras residências reais, para o que, já tem inúmeros elementos que tem encontrado nas suas investigações sôbre o Palácio de Queluz.

Vi, que com os elementos colhidos poderia António Caldeira Pires fazer uma grande obra, a-pesar do desânimo o afligir constantemente.

Para lhe dar a coragem e ânimo preciso, lembrei na Associação dos Arqueólogos Portugueses, que se desse um passeio de estudo a Queluz, o que a mesma instituïção acedeu, com a condição de eu fazer uma comunicação nessa visita.

Era hábito na Associação dos Arqueólogos, aproveitar o dia 10 de Junho, feriado em Lisboa, por ser o dia da morte de Luís de Camões, para em passeio de estudo, ir a qualquer ponto do país.

Nestes passeios há sempre um conferente, pelo que sendo eu o autor da proposta do passeio a Queluz, me encarregaram de descrever o Palácio.

António Caldeira Pires rejubilou com esta idea e forneceu-me elementos com os quais fiz uma comunicação no Museu do Carmo em 5 de Junho de 1921, comunicação preparatória para o passeio.

Com o título Queluz-Vila do Príncipe da Beira, publiquei no IX volume da História e Genealogia esta comunicação.

De facto em 10 de Junho de 1921, sócios da Associação dos Arqueólogos com suas famílias e pessoas das suas relações, estiveram em Queluz, vivendo umas horas de extraordinárias recordações e alguns momentos de desânimo, por verificarem, que infelizmente não há o amor, nem o cuidado que merecia tão interessante relíquia histórica. Alguns factos ali presenciados animaram-me a escrever

uma carta, que o Diário de Notícias de 13 seguinte publicou, e que motivou uma rèplica dum professor da Escola Agrí cola, que se encontra instalada em dependências do Palácio referido. Esta rèplica foi publicada nos jornais Diário de de Notícias de 16 do mesmo mês de Junho de 1921 e A Pátria de 19 seguinte.

Neste mesmo dia, 19, escrevi uma carta ao director do jornal A Pátria, que teve a amabilidade de a publicar em 22, e que com o título « Ainda sôbre Queluz - Legítima defeza », incluí no IX volume da História e Genealogia.

O relato de todos estes factos e ainda da comunicação que fiz quando da visita referida ao Palácio e Jardins em questão, foi por mim descrito em 25 do mesmo mês em Assembleia Geral da mesma instituição scientifica e publicado no IX volume da História e Genealogia com o título «Queluz em 10 de Junho de 1921 -Visita da Associação dos Arqueólogos Portugueses».

Tudo isto constituiu um grande estímulo para António Caldeira Pires, que chegou a convidar-me para que, fizéssemos de sociedade o estudo com que êle agora enriquece a história de Portugal, o que não aceitei por ter a absoluta certeza de que o meu concurso, não tinha a menor importância ao pé dos elementos pacientemente colhidos e analizados por António Caldeira Pires.

Concorri para esta grande obra apenas com estímulo e entusiasmo.

Caldeira Pires não tendo conseguido que o meu nome figurasse ao lado do seu na capa desta obra, instou comigo para que a prefaciasse, ao que objectei, que um trabalho fundado em bases seguríssimas e construído sòmente de documentos, não necessitava de prefácio, de apresentação ou de recomendação: bastava aparecer.

Não se conformou e acabou por conseguir que eu fizesse

B

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